Goiabada é daqueles doces que carregam memória afetiva: café da tarde em família, sobremesa simples depois do almoço, pedacinhos servidos com queijo… Mas quem precisa reduzir o consumo de açúcar acaba achando que deve abrir mão desse prazer. A boa notícia é que dá para preparar uma versão sem açúcar refinado, aproveitando o doce natural da fruta e, se desejar, usando adoçantes culinários com cuidado.
Mais do que uma receita, é uma forma de resgatar tradições com mais consciência, sem perder o encanto do sabor.
Escolhendo as goiabas ideais
O primeiro segredo da goiabada sem açúcar está na escolha das frutas. Prefira goiabas bem maduras, perfumadas e com casca começando a amolecer. Quanto mais madura a fruta, mais intensa será a doçura natural e menos necessidade você terá de adoçar.
Você pode utilizar goiaba vermelha, que dá aquela cor clássica de goiabada, ou misturar um pouco de goiaba branca para equilibrar o sabor. O importante é que estejam firmes o suficiente para serem manuseadas, mas com miolo macio e bem corado.
Antes de começar, lave as frutas com capricho, esfregando a casca com uma escovinha própria ou um pano limpo, para retirar qualquer resíduo.
Ingredientes básicos e alternativas
Para uma receita simples, você vai precisar de:
- Goiabas maduras
- Água
- Suco de limão
- Adoçante culinário opcional (xilitol, eritritol ou outro que suporte calor)
Sim, mesmo na versão “sem açúcar”, vale lembrar que a fruta já traz seus próprios açúcares naturais. A diferença é que você não acrescentará açúcar refinado, o que torna a preparação mais amigável para quem deseja reduzir esse tipo de ingrediente.
O limão entra como aliado duplo: realça o sabor da goiaba e ajuda na conservação. Já o adoçante, se for utilizado, deve ser acrescentado aos poucos, ajustando ao paladar, sem exageros.
Passo a passo da goiabada sem açúcar
- Preparar as goiabas
Corte as frutas em pedaços, retirando apenas as partes muito machucadas. Não é obrigatório descascar, mas, se quiser uma textura ainda mais lisa, pode remover parte da casca. - Cozinhar com água
Coloque as goiabas picadas em uma panela grande, adicione um pouco de água apenas para ajudar no cozimento e tampe parcialmente. Cozinhe em fogo baixo até que a polpa esteja bem macia, quase desmanchando. - Bater e peneirar
Quando estiverem cozidas, bata a polpa no liquidificador ou processador, com o mínimo de água possível. Em seguida, passe por uma peneira para retirar sementes e pedaços mais fibrosos. Você ficará com um creme espesso e perfumado. - Voltar ao fogo para engrossar
Devolva essa polpa à panela, acrescente o suco de limão e comece a cozinhar em fogo baixo, mexendo sempre para não grudar no fundo. Esse é o momento em que a paciência faz diferença: a água precisa evaporar aos poucos para a goiabada ganhar corpo. - Ajustar o sabor
Depois que a mistura começar a ficar mais densa, prove. Se sentir falta de doçura, adicione o adoçante culinário escolhido, sempre pouco a pouco, mexendo bem. Lembre que, à medida que a pasta engrossa, o sabor concentra e fica mais intenso. - Ponto certo
O ponto clássico da goiabada é aquele em que a massa desgruda do fundo da panela e forma um bloco denso. Ao passar a colher, você consegue ver o fundo por alguns segundos. Para uma versão cremosa, basta desligar um pouco antes.
Moldando, resfriando e conservando
Para fazer a goiabada em bloco, unte uma forma com óleo neutro ou forre com papel manteiga. Despeje a massa ainda quente, alise com uma espátula e deixe esfriar em temperatura do local. Depois, leve à geladeira por algumas horas até firmar.
Se preferir a versão cremosa, basta armazenar em potes de vidro bem fechados, esperando esfriar antes de tampar. Guardada na geladeira, dura vários dias.
É possível ainda cortar em cubinhos, depois de bem firme, e deixar secar um pouco mais, obtendo uma textura mais “puxadinha”, ideal para petiscar com queijo ou servir em tábuas de frios.
Variações e toques pessoais
Você pode acrescentar especiarias, como cravo ou canela em pau, durante o cozimento, retirando ao final, para dar um perfume especial. Outra possibilidade é misturar um pouco de outras frutas naturalmente doces, como maçã, que também ajudam a dar corpo à preparação.
O mais bonito dessa receita é perceber que é possível adaptar, experimentar e chegar ao seu próprio ponto preferido. A goiabada sem açúcar refinado prova que tradição e cuidado com a saúde podem caminhar juntos, trazendo para a mesa um doce cheio de história, mas com um olhar mais leve para o presente.
